Projeto almofadas do coração | Heart Pillow Project

foto daqui
Hoje chegou-me ao conhecimento, através da Fisioterapeuta Laura Xavier, a reportagem que saiu no rostos.pt, onde é dado a conhecer a distribuição de almofadas que foram desenhadas para apoiar o braço após intervenção cirúrgica e que têm o objetivo de aliviar a dor pós cirúrgica.

Lê-se naquela reportagem que as primeiras almofadas, que são em forma de coração, foram distribuídas pela Associação de Mulheres com Patologia Mamária e agora chegou a vez de ser feito pelo Hospital do Barreiro.

O "Hearth Pillow Project" (Projecto Almofadas do Coração), que tem origem desconhecida, teve a sua expansão quando uma enfermeira de oncologia, Janet Kramer-Mai, do  Erlanger Medical Center in Chattanooga, Tenn., passou pela experiência de cancro de mama, no ano de 2001.

Lipedema, diferenças entre linfedema e o seu efeito no sistema linfático

Numa das minhas pesquisas, na internet, sobre lipedema encontrei no blog do Dr Joachim Zuther dois post que falam sobre as principais diferenças entre linfedema e lipedema e também sobre os efeitos no lipedema no sistema linfático.

Começando por definir o lipedema como uma acumulação crónica progressiva e simétrica de gordura no tecido subcutâneo, que ocorre  quase que exclusivamente nas mulheres, num dos seus post é apresentado um quadro comparativo que pode ajudar a estabelecer as principais diferenças entre estas duas doenças:












Anteriormente, já este especialista havia mencionado que o lipedema não é raro e não é causado por um distúrbio do sistema linfático, sendo por vezes diagnosticado como linfedema bilateral, ou uma forma extrema celulite, ou mesmo obesidade mórbida. 

Mencionando um estudo da prof Ethel Földi, o Dr Zuther refere que o lipedema atinge 11% da população feminina e está associado a perturbações ou disfunções hormonais.

O lipedema pode ser diagnosticado com base em critérios clínicos (história, as características clínicas típicas) e pelo exame físico, não tanto com testes de diagnóstico. Esta doença, pode causar vários problemas de saúde secundários, incluindo problemas de mobilidade e até mesmo linfedema. 

A quantidade excessiva de tecido gordo presente no lipedema comprime os vasos do sistema linfático, que estão incorporados no tecido subcutâneo gordo. 

Fonte da imagem 
A imagem da linfangiografia, acima, mostra uma redução da capacidade do sistema linfático na área afectada.
Se a capacidade do sistema linfático fica reduzida este não é capaz de exercer as suas funções básicas de remoção de água dos tecidos, a linfa vai acumular, desenvolvendo-se o linfedema, cumulativamente ao lipedema, aumentando assim a complexidade do tratamento.

A ainda que referir que a qualidade de vida, física e emocional das pessoas com lipedema diminui bastante, com o avanço da doença, e muitas das vezes são diagnosticados como meros obesos.

Não se conhece a causa do lipedema pensa-se que esta doença pode estar associada a causas hormonais, hereditárias e pode começar a ser visível na puberdade atingindo uma maior expressão a partir dos 35 anos, aproximadamente. Por último refere-se que há alguns tratamentos que podem ser feitos para a seu não agravamento e para prevenir a sua evolução (drenagem linfática manual, é um exemplo) e que a lipoaspiração pode ser a intervenção cirúrgica a ser seguida.

Notas adicionais:
fonte da imagem








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os post do Dr Joachim Zuther que foram mencionados são:




Linfedema e exercício físico

ver plano de exercícios abaixo (tabela 2)



De acordo com as orientações do American College of Sports Medicine (ACSM, 2013) o doente linfático deve manter um estilo de vida ativo e exercitar-se pelo menos 2-3 dias/semanais, 30 a 60 minutos diários.

“Estudos indicam que a prática de exercício físico combinando o treino de flexibilidade, resistência, aeróbio, a utilização de bandas de compressão, de ligaduras de compressão e drenagem linfática, resultam em benefícios positivos significativos em mulheres com linfedema. Desta forma, este tipo de programa poderá resultar num aumento da funcionalidade da zona afeta e da saúde em geral do paciente”. 
(Brennan, & Miller, 1998)

Schmitz et al. 2009 e a National Lymphedema Network, 2013 sugerem as seguintes recomendações de exercício:
  • 10 Minutos de treino cardiovascular;
  • 5 a 15 Minutos de treino de core - músculos estabilizadores da coluna lombar (parede abdominal, extensores profundos da coluna, músculos do pavimento pélvico e diafragma);
  • 9 Exercícios de resistência para os principais grupos musculares (Costas, Peito, Membros Superiores e Membros Inferiores);
  • 30 Segundos de alongamentos para todo o corpo dando primazia as zonas afetas;

É de extrema importância ter atenção ao linfedema e em caso de alterações avisar o seu especialista, reduzir a intensidade do exercício (baixar carga ou resistência do elástico/banda), aumentar o tempo de repouso entre séries e exercícios, diminuir a velocidade da marcha ou corrida e no caso do treino de flexibilidade diminuir a amplitude do alongamento e prolongar o descanso entre exercícios ou repetições.

Se não existirem alterações o praticante deve aumentar a resistência do elástico/banda ou peso, usando sempre as bandas de compressão recomendadas pelo especialista. Este incremento deve ser feito quando se sentir confortável para tal. 
(Schmitz et al.2009)

Treino aeróbio:
O exercício aeróbio envolve o movimento de grandes massas musculares a fim de aumentar a frequência cardíaca (FR) até pelo menos 70% do máximo. Este tipo de exercício deve ser efetuado de forma gradual a fim de haver um conjunto de adaptações cardiorrespiratórias e cardiovasculares. (ver tabela 1)
O treino aeróbio gera também uma ajuda importante na sua gestão de peso, o que poderá ser de extrema importância para preservar as suas articulações.
PA, A. Position Statement of the National Lymphedema Network, 2013

Treino de Resistência:
O treino de resistência pode ser realizado sem movimento da articulação (isométrico) ou através do movimento da articulação dentro dos graus de liberdade da mesma (isotónico) deve sempre dar primazia ao exercício isotónico a fim de trabalhar toda a amplitude de movimento articular. A recomendação para este tipo de treino é que se inicie a prática de exercício utilizando exercícios calisténicos (peso corporal) e/ou bandas ou elásticos de baixa resistência, sendo que o número de repetições e séries deve ser baixo e aumentando de forma progressiva ao longo do tempo. (ver tabela 1)
Este tipo de treino poderá reduzir o volume do membro afetado quando efetuado em conjunto com a compressão e drenagem.
Alguns estudos afirmam que o treino de resistência não acarreta malefícios para o linfedema, quando executado de forma controlada e apropriada e inclusive trás benefícios para a saúde em geral.
                                                  PA, A. Position Statement of the National Lymphedema Network, 2013


Treino de Flexibilidade:
Este treino é aconselhado pois poderá ajudar a manter ou aumentar a amplitude do membro afetado bem como poderá ajudar redução das cicatrizes (em caso de pós-cirúrgico) e das contraturas musculares que muitas vezes são responsáveis por uma diminuição do fluxo linfático.

Apesar de isto não ser um tratamento poderá fazer parte de uma opção de mudança de estilo de vida que o paciente decida iniciar a fim de aumentar a sua funcionalidade diária. (ver tabela 1)

Contudo é de extrema importância que tenha a patologia já controlada e acompanhada por um especialista antes de iniciar o treino de flexibilidade.
                                                     PA, A. Position Statement of the National Lymphedema Network, 2013



Aeróbio
Resistência
Flexibilidade
Frequência
3-5 dias/semana
2 -3 dias/semana
Todos os dias
Intensidade
Moderada – 40% a 60% FCR*
Vigoroso – 60% a 85% FCR
60% a 70% 1RM**
Amplitude do movimento confortável e não lesiva
Tempo
Moderado – 150 min/semana
Vigoroso – 75 min/semana
1 a 3 séries
8 a 12 repetições

Tipo
- Natação
- Caminhada
- NordikWalking
Treino Funcional para grande grupos musculares
Alongamento de todos os grupos musculares com primazia para o membro afetado
Progressão
A progressão deve ser moderada e calma, sendo que se sentir que o exercício está a gerar sintomas adversos ou cansaço fora do usual, deve procurar o seu médico e reduzir ou inclusive regredir na progressão do exercício.
Tabela 1: Recomendações FITT para doentes oncológicos, ACSM, 2013, pp.267
*FCR- Frequência cardíaca de Reserva (calcula-se através da subtracção entre a Frequência Cardíaca máxima e a de Repouso)
**1RM  - 1 Repetição Máxima - máxima resistência que consegue mover uma única vez, na amplitude total de movimento e de uma forma controlada


Plano de treino de resistência

O treino de resistência muscular deve ser executado sempre tendo em atenção a postura e técnica correta, pode ser um bom início para uma mudança de estilo de vida. Pode também contactar um profissional da área do exercício e saúde para efetuar a prescrição do treino, porém tenha em atenção o historial do técnico, se já trabalhou com pessoas com linfedema, lipedema ou outras patologias semelhantes.

As sessões de treino de força resistente podem integrar um período de treino cardiovascular (ex: caminhada) e rotina de alongamento para os principais grupos musculares envolvidos, dando, nesta ultima fase, primazia ao membro afetado.

Iniciar o programa com 1 série de cada exercício com 12 a 15 repetições e aproximadamente 2 minutos de descanso entre cada exercício. Caso se sinta cansado pode aumentar o tempo de descanso.

Tabela 2: Plano de treino de resistência
Nota Importante:
Cada pessoa deve, em diálogo com os técnicos das respectivas áreas, ajustar a sua intensidade de treino ao seu caso e condição física 


Hugo Amaral
Licenciando em Desporto, Condição Física e Saúde
Escola Superior de Desporto de Rio Maior

Bibliografia

  • Brennan, M. J., & Miller, L. T. (1998). Overview of treatment options and review of the current role and use of compression garments, intermittent pumps, and exercise in the management of lymphedema. Cancer, 83, 2821-2827.
  • American College of Sports Medicine. (2013). ACSM's guidelines for exercise testing and prescription. Lippincott Williams & Wilkins.
  • Schmitz, K. H., Troxel, A. B., Cheville, A., Grant, L. L., Bryan, C. J., Gross, C. R., ... &
  • Ahmed, R. L. (2009). Physical Activity and Lymphedema (the PAL trial): assessing the safety of progressive strength training in breast cancer survivors. Contemporary clinical trials, 30, 233- PA, A. Position Statement of the National Lymphedema Network, 2013.

São gordas??!! Na verdade sofrem de Lipedema.



O Lipedema, patologia de que são sofredores, leva-as a ouvir comentários desajustados e a um percurso longo, de técnico em técnico de saúde, até saberem o que lhes provoca as dores.

No mês do LIPEDEMA, este post é uma chamada de atenção para a doença crónica pouco conhecida e muitas vezes mal diagnosticada. Esta patologia, maioritariamente de mulheres, afeta as ancas e pernas, mas que também tem a sua expressão nos braços.

Elisabete, a Paula, a Rosário  e a Maria, são  testemunhos que já passaram por este blogue e que vos convido a (re)ler, entre outros.

Gostaria de reforçar, a existência de uma plataforma, gratuita, que promove a união de pessoas com a mesma patologia. Assim, se tiver lipedema e se sentir que que gostaria de ouvir e partilhar - visite e participe na ADOECI.COM

Com as minhas desculpas por não estar traduzido em português, deixo-vos ainda dois vídeos do Lipedema Project, onde se pode constatar, entre outras questões abordadas, a hereditariedade desta patologia (segundo o video, mães passam a doença às filhas ou os genes aos filhos, que por sua vez os transmitem às filhas).